segunda-feira, 11 de julho de 2011

Uma história que não foi escrita

Quando acordo, escolho a roupa que vou vestir; como vou deixar o meu cabelo, se solto ou preso; se vou comer pão, bolacha ou fruta; se vou beber café, leite ou suco.

Quando entro no carro, escolho se vou ouvir música ou não, e qual música.

Escolho como será minha aula, que atividades vou propor aos meus alunos.

E tudo isso me faz pensar em quantas escolhas fazemos todos os dias. Há algumas tão simples, quase automáticas. Outras são tão difíceis que às vezes as retardamos na tentativa de evitar quaisquer possibilidades de erro, de sofrimento.

A verdade é que sim, Deus nos dá liberdade para fazermos escolhas. Ele nos orienta, nos mostra caminhos, mas a decisão cabe a nós. Isso é fato.

Ao longo da minha vida (quase 30 setembros), fiz muitas escolhas. Algumas acertadas, outras erradas e há, ainda, aquelas totalmente erradas. Há algumas das quais nos arrependemos. E é sobre uma delas que quero falar aqui.

Sabe aquele amigo tão especial pra você, que faz parte dos seus dias, da sua vida? Aquele que você via todos os dias? Então, eu tive um desses. O fato é que essa amizade ficou colorida demais na minha cabeça e um arco-íris se formou no meu coração. Não sei quando, mas a verdade é que me apaixonei por esse amigo, apesar de sermos ainda tão jovens.

Estudávamos juntos, compartilhávamos lanches, alegrias, tristezas, sonhos... mas esquecemos de compartilhar o amor que sentíamos um pelo outro. Sim, depois de muitos anos, quando o sentimento parecia estar apagado, descobri que ele me correspondia. Mas, a essa altura, já estava eu noiva e ele, pra variar, num estado bem distante do meu Goiás.

Até hoje não entendo porque nossas vidas tomaram rumos tão diferentes, se éramos tão parecidos. Gostávamos de sorrir juntos, de estudar juntos, de sonhar juntos, de estarmos juntos, de olhar um para o outro...

Escolhemos profissões diferentes.

Escolhemos estados diferentes.

Escolhas diferentes.

E a verdade é que me arrependo.

Arrependo-me do namorado que não tive,

Do beijo que nunca foi dado,

Da vida ao lado dele que nunca vivi.

Arrependo-me de não ter compartilhado esse sentimento

Quando isso poderia mudar o rumo das coisas.

Arrependo-me de ter calado a boca quando meu coração gritava.

Arrependo-me de ter me deixado engessar pelo medo de ser incompreendida, rejeitada.

Arrependo-me.

Ainda sofro ao tentar ler a história que não escrevi, ao tentar trazer à memória vivências que não existiram, simplesmente porque aos personagens não dei vida nem voz. Uma página que ficou em branco na minha vida.

Hoje, fica a lembrança da ternura na sua voz que raramente ouço,

fica a lembrança dos seus olhos que buscavam encontrar os meus,

fica a lembrança do aconchego do seu abraço,

fica seu sorriso que fazia o meu dia mais feliz.

Ahhh... e essas lembranças me são tão caras, tão especiais... porque são, simplesmente, a única coisa que restou de uma história que não escrevi.

3 comentários:

  1. Amiga sei como é pensar em histórias não vividas. Olha, tive um gde amor (platônico) aos meus 15 anos, vivia sonhando acordada, não era correspondida, mudei de colégio um dia, fui pra facul, fui trabalhar, depois me casei, mudei de bairro... e ficou tudo guardado no meu coração. Ai um dia, eu me separei, voltei para o bairro... e adivinha quem eu reencontrei...rsrsrs... Então foi aí que ele me notou, me paquerou, e quis namorar....rsrsrs... durou pouco, uns 3 meses, pq descobri sabe que eu achava tudo mais do era na realidade, ele é legal, mas enfim... não tem nada haver mais comigo, mas foi bom viver a história, mesmo que 20 anos depois!!! Viu ... Aguarde e confie, os planos de DEUS são uma surpresa!!! beijos linda...

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  2. Então, Cris...
    Depois que me divorcei até pensei que essa estória poderia ser escrita, mas... eu estava enganada. A verdade é que a tal página já tinha sido virada há anos.
    Beijinhos e obrigada por suas visitas e comentários!!!

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  3. Que lindo!!! Amo histórias de primeiro amor.

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