domingo, 6 de dezembro de 2009

Sobre leituras e relacionamentos

A leitura me move. Não consigo ficar um dia sequer sem ler. Leio livros, jornais, revistas e ainda navego na internet e leio tudo o que me interessar. A leitura me transporta para outros lugares e tempos. Às vezes, percebo-me vivendo os personagens criados pelos autores. Percebo que após a leitura de um bom texto, mergulho nas reflexões e volto delas transformada. Já disse antes que, depois que conheci a blogosfera, não me vejo mais sem ela. Visito quase todos os dias blogs de amigos, leio os textos postados, comento alguns. A verdade é que me alimento deles.
Hoje, visitando o blog do meu amigo Vagner Lopes (...Lírico...), me surpreendi com o seu relato a respeito de um amigo que está sofrendo por amor e fiquei pensando sobre isso, sobre o que já vivi e o que talvez ainda tenha pra viver. Lembrei-me de um texto ÓOOOOOOOTIMO de Arnaldo Habor que li na internet (não me lembro em qual site) e gostaria de compartilhá-lo com vocês:
"Sempre acho que namoro, casamento e romance têm começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
'- Ah, terminei o namoro...
- Oh, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos... que pena... acabou...
- É... não deu certo...'
Claro que deu certo! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida é que você pode ter a chance de vários pares e várias escolhas.
Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes, você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é companheira...
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele!
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o sexo mais básico, que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo de acrobacia, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bater... se joga...
Se não bater... mais um Martini, por favor, e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a situação.
O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa está com dúvidas, o problema é dela, cabe a você esperar... ou não!!!
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença, e com isso ainda dispõe do tempo do outro...
O ser humano não é absoluto. Ele vacila, tem dúvidas e medos, mas, se a pessoa REALMENTE gostar e estiver disposta a acertar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O bom é alguém que está com você, só por você. E vice-versa.
Não fique com alguém por pena ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. O nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento...
Tem gente que pula de um romance para outro sem parar...
QUE MEDO É ESTE DE SE VER SÓ, EM SUA PRÓPRIA COMPANHIA?
Gostar dó muito e dá trabalho!
Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustação...
Faz parte. Você convive com um outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com esta conversa, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, não envolva outras pessoas, fique mais tempo sozinho, ou se não conseguir, então namore uma planta. É muito mais previsível!
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Enfim... quem disse que ser adulto é fácil???"

Boa semana, amigo(a)s!

domingo, 29 de novembro de 2009

Quer dançar?


Terminou o workshop de dança. Sim, minha gente, eu me matriculei em um curso rápido de dança e lhes digo que foi ilário!!! O mais ilário foram os ritmos: Ragga Jam, Street Dance, Dance Hall e Break. Sempre tive vontade de fazer aula de dança e nunca tinha tempo. Vez ou outra, danço no ministério de dança da minha igreja, mas não é frequente. São músicas mais lentas, de adoração. E eu queria mesmo era fazer aula de dança, com professor(a) e tudo o mais. Foi bom.

Não nego que no início tive vontade de desistir. Passos muito rápidos e complexos, cuja sincronia com o grupo foi algo quase inatingível. Fiquei tão cansada no primeiro dia que só queria beber água e dormir!!! Nenhum preparo físico. Percebi que preciso urgentemente de academia!

Segundo dia. Aula de Break. Sim, é aquele negócio de por a cabeça no chão e rodar, kkkkk... muito engraçado. Eu? Professora tão séria e certinha, parecendo uma macaca pulando no chão. E não é que tem técnica?! Eu olhava aquele povo dançando e pensava que eu poderia me mexer de qualquer jeito, mas não... tem técnica, e que técnica difícil hein?!!!!

Ontem foi o último dia. O mais engraçado e divertido de todos. Quando eu vi a professora e suas duas assessoras adentrando a sala, vestidas daquele jeito, eu logo pensei: Hoje promete! Pensa em algo brega! Agora, acrescenta atitude sem senso nem limites. Descobri que até pra ser brega é preciso técnica. E é a técnica que faz ficar tudo bonitinho. Foi interessante vê-las dançando com sincronia, com "arte", conforme a professora disse. Foi breguice elevada à décima potência!!!! kkkkkk... Mas eu gostei e confesso que, na verdade, eu queria ter tido essa aula primeiro. Acho que teria me soltado mais e, consequentemente, teria aproveitado mais o que me foi apresentado.

Muita coisa ficou. Passos rápidos e complexos. Cansaço. Amizades. Muita risada. Dança como arte. Dança como descontração. Reflexão.

Ficou também a frase da professora: "Vai ser feliz: se joga e arrasa!!!"

sábado, 21 de novembro de 2009

Tic-tac...


Tic-tac

Olho para o relógio
E vejo os segundos darem forma aos minutos e horas que constituem os meus dias
Às vezes tenho a impressão de que o tempo tem passado mais rápido
Mas, no fundo sei que o dia continua a ter, imutável e indubitavelmente, as suas 24 horas.

Tic-tac

Cadê os frutos do outono?
E o friozinho aconchegante do inverno, solicito de agasalhos?
E a fragrância das flores primaveris?
E pra que essas luzes de Natal?
Peraí... o ano apenas começou.
Consulto o calendário na esperança de ser um equívoco,
Mas... Ãhhh???

Tic-tac

Já é novembro?
Será que pulamos algum mês?
Será que deixamos de viver alguns dias?
Só pode ser isso porque passou tudo tão depressa...

Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac

E se eu tirasse os ponteiros do relógio?
Talvez eu pudesse parar o tempo...

Tic-tac

Eu só queria parar todos os relógios
E contemplar/resgatar a essência do que eu (não) vivi.

Tic-tac

domingo, 8 de novembro de 2009

Minha família, meu porto tão seguro

Quando crianças, às vezes achamos que a família do nosso colega de escola ou vizinho é sempre melhor do que a nossa. A mãe do outro faz comida melhor do que a nossa mãe, o pai do outro brinca mais, o outro fica menos de castigo, o outro ganha mais brinquedos e uma lista quase infinda começa a se formar quando comparamos.
Mas a vida ensina muitas coisas. Coisas inesperadas e indesejadas acabam por acontecer conosco, as quais são responsáveis por nos desencadear momentos preciosos de reflexão. Sim, a vida me ensinou a olhar a minha família de uma maneira diferente e a percebê-la como especial. Nos momentos de maior aflição, angústia, solidão e tristeza, minha família estava ali, me esperando com um abraço aconchegante e terno e com o coração transbordando de amor, companheirismo e cuidado. Todos me receberam com carinho no olhar e com palavras de ânimo e perseverância. Costumo dizer que, na situação em que eu me encontrava, voltar para a minha família significou voltar para o ventre materno onde eu poderia receber todo cuidado, amor, proteção e carinho necessários.
Hoje, já bem melhor, tenho a certeza de que o amor mais puro, sincero e verdadeiro é o que provém da família. E sim, amo-os de todo o meu coração e sei que posso contar com eles para quaisquer situações que eu estiver vivendo.
Minha família, meu porto tão seguro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Organizadamente bagunçado

O vestido era inquestionavelmente bem passado. Seu falar, de tão baixinho, parecia mais um sussurar de infinitos segredos. "Muito obrigada", "com licença", "por gentileza" eram algumas das expressões que fluíam da sua boca incontáveis vezes. A família tinha parte nessa educação, bem se sabe, mas seu comportamento tão recatado ia além de contribuições de mãe e pai, suas características eram inerentes à sua personalidade.

O quarto da menina era milimetricamente organizado. Prateleira com livros alfabetica e tematicamente dispostos; perfumes, batons, hidratantes, brincos, colares, anéis, tudo, tudo extremamente organizado. Bastava alguém lhe perguntar onde estava tal coisa que a resposta viria em seguida: "A caneta dourada? Está na segunda gaveta da mesa, dentro do estojo azul, perto do rosa". Perfeccionista, sempre.

Ela organizava tudo. Guarda-roupa, armário, prateleira, até a caixinha de semi-joias passava por uma minuciosa vistoria. Essa organização parecia dar certo, parecia dar-lhe controle sobre as coisas. E dava mesmo.

Quando já moça, quis também organizar os relacionamentos, as convivências. Algumas pessoas começaram a demostrar certa insatisfação com a mania dela de querer controlar a conversa, os turnos de fala, o vocabulário a ser usado, quem poderia fazer o quê e como. "Mas era tão bom as coisas organizadas!" Ela pensava.

Certo dia, já mulher, sentiu-se triste. Ser organizada, perfeccionista era bom, algumas pessoas até elogiavam, mas ela reconhecia que estava exagerando. Ela se tornara chata, exigente e incoveniente. "Preciso mudar", ela pensou. "Mas, como fazê-lo? Estou tão acostumada a ser assim...".

Era uma tarde agradável. Uma chuva, que se estendeu por mais de 3 horas, convidou-a para se sentar ali, no chão da varanda, que nem estava tão limpo, e a fez pensar. Ela queria mudar e iria fazê-lo começando pelo quarto. Decidiu não arrumar o quarto por alguns dias. Sim, ela queria ver o quarto bagunçado. Bagunça???? É, ela iria permitir o próprio quarto, tão ritualmente organizado, experienciar uma nova realidade.

Primeiro dia. Ela não guardou o tênis e a sandália que usara. Deixou ali, jogados ao chão. No segundo, foi a vez das bolsas que não foram para o guarda-roupa, ficaram ali mesmo, sobre a cama. Nos dias que se seguiram, outras coisas foram mudando de lugar. Incomodada??? No início sim. Muito. "Como alguém pode ser assim, em plena bagunça?" Mas ela estava decidida. Queria viver aquilo. Queria saber como seria ser menos exigente e perfeccionista.

Depois de uma semana, a bagunça passou-lhe a ser indiferente. O pente fora do lugar já nem lhe incomodava mais. Quando precisava dele, o procurava e encontrá-lo, independente do lugar, seria motivo de alegria.

Ela começou a ver outras coisas. Sorria com mais frequência e intensidade. A vida lhe era agora diferente. Um sabor agradável que não havia ainda experimentado. Sim, ela conseguira se libertar de algumas regras tão banais, enfadonhas e injustificáveis, que ela mesma havia imposto. Percebeu que era mais feliz assim. Entendeu que não era preciso ser tão radical, tão milimetricamente organizada e perfeccionista.

As mudanças superaram os limites do quarto e alcançaram o local de trabalho, de estudo, alcançaram outras vivências. Ela gostou. Gostou de ter mais amigos, gostou de rir mais, gostou de ser mais feliz. Entendeu que ser menos rígida e exigente com certas coisas permitia-lhe ser mais feliz. O quarto? Esse passou a ser organizadamente bagunçado. Sim, um misto de bagunça e organização, de rigidez e flexibilidade. Sua vida? Ahhhh... essa adquiriu um sabor indescritivelmente mais suave, mais agradável e desejável. Passou a ter gosto de vida humanamente vivida, sentida, percebida.

Ela?? Ela sou eu, na verdade. Eu era assim, conforme descrevi. E não era feliz com isso. Queria mudar. Desejei mudar. Mudei. Levou certo tempo pra tal acontecer. Sei que, para alguns leitores, gostar de ter um quarto bagunçado parece estranho, louco até. Mas, pra mim, significou libertação. Percebi que poderia ser muito mais feliz se exigisse menos de mim, se cobrasse menos das pessoas. A vida não precisa ser tão séria, tão perfeita. A vida só precisa ser vida, ser vivida com todos os sabores: doce, salgado, amargo, azedinho... Ela é mais gostosa assim, posso lhe assegurar.

Por que não mudar o previsto na agenda?
Por que não sentar em outro lugar/sofá diferente do habitual?
Por que não usar o cabelo diferente, uma roupa diferente?
Por que não assistir a uma programação de Tv diferente?
Por que não fazer algo que nunca fizemos?
Por que não se permitir errar de vez em quando?

Parece estranho, mas nunca gostei tanto do meu quarto como agora: organizadamente bagunçado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Professor-amélia... é só o que me faltava...

Tem dia que acho que estou fazendo a coisa certa: ser professora. A maior parte dos meus alunos se tornam meus amigos, me divirto com eles. Ensinar torna-se um ofício prazeroso, divertido e percebo que tenho conseguido alcançar meus objetivos: compartilhar meu conhecimento.
Outras vezes me pergunto onde eu estava com a cabeça quando decidi ser professora. Que alunos são esses que querem tudo menos estudar? Que famílias são essas tão desestruturadas e tão irresponsáveis em relação aos filhos? Que governo é esse que prioriza uma merda chamada quantidade e esquece da qualidade?
Hoje eu estava lendo o jornal Tribuna do Planalto e me deparei com uma entrevista interessante realizada com Ademir Luiz da Silva, doutor em História, professor da Universidade Estadual de Goiás e da Faculdade Alfredo Nasser. Vou reproduzir aqui alguns fragmentos que mais gostei:

Jornal: Por que o senhor argumenta que a imagem de "missionário" em torno do professor do Ensino Básico não é bem vinda?
Professor: Um missionário faz o que faz por abnegação pessoal. Não precisa nem espera ser reconhecido ou recompensado por seus sacrifícios. Há décadas os professores estão sendo tratados assim. [...] O discurso missionário que impregna a Pedagogia moderna faz com que o professor aceite atribuições que não são suas, obriga-o a embarcar em missões impossíveis, leva-o a sentir-se culpado por fracassos que não são seus. (Eu: O governo adora fazer propagandas sobre constantes cursos de formação de professor - o único responsável pelo sucesso/fracasso dos discentes. Será que os políticos se esquecem de que os alunos também deveriam ser preparados psicologicamente para serem estudantes??!)
[...]
Jornal: Essa condição missionária não prejudica a superação de fatores como a violência escola contra ele próprio, por exemplo?
Professor: Com certeza. De missionário rapidamente se passa a mártir. Os professores brasileiros estão sendo transformados em amélias. Pessoas que acham que é bonito, que é heroico sofrer. Estão sendo levados a acreditar que quanto pior suas condições de trabalho mais digna é a atividade. Mera falácia. (Eu: Professores-amélias é a mais perfeita descrição do que o governo tem tentado nos transformar!!! Ei, políticos: EU NÃO SOU PROFESSORA -AMÉLIA!!!)
[...]
Jornal: Esse é um dos motivos pelo qual o senhor diz que o professor está se afastando da sua função intelectual e sendo infantilizado no seu próprio ambiente de trabalho?
Professor: Começo com um exemplo: reuniões pedagógicas. Muitas vezes (nem sempre) o processo é o seguinte. O grupo começa rezando no espaço pretensamente laico da escola. Em seguida, faz-se a leitura de um "textinho" simplista de auto-ajuda, pontuados com uma ou duas frases soltas de um grande pensador, como Platão ou Voltaire. Depois se segue com uma dinâmica de grupo, que pode ser desde uma dança da cadeira até a brincadeira de passar o anel. No meio disso tudo discutem ações pedagógicas. [...] Como resultado, o professor, despido de sua função intelectual crítica, se tornou mera engrenagem no sistema. É podado e corrigido o tempo todo, como se fosse criança e não soubesse o que está fazendo, muitas vezes por pessoas que não são especialistas em sua disciplina. (Eu: Não suporto receber balinhas, bombons com aqueles papeisinhos cujas frases são utópicas!!! Eca...)
[...]
Jornal: Se o público escolar mudou, a escola também não deve mudar? Ela (a escola) não está em busca de ajustes para conseguir lidar com as demandas da sociedade contemporânea?
Professor: Não sou um nostálgico da palmatória e do chapéu de burro. Pelo contrário, acredito que a escola deve sofisticar seus métodos. Contudo, nesse processo, não se pode jogar fora elementos que sempre deram certo. A escola possui, sim, um importante papel de agregador social, mas não pode ser transformada em uma creche. (Eu: Governo e família, por favor, escutem isso: ESCOLA NÃO É CRECHE. ESCOLA É LUGAR DE CONSTRUIR CONHECIMENTO COGNITIVO!!)

Gente, que sistema educacional é esse que o menos importante é o conhecimento???
Que homens e mulheres serão amanhã as nossas crianças e adolescentes de hoje??
Eu quero condições de trabalho (segurança, materiais, respeito, salário digno etc.).

Para aqueles que não concordam com as afirmações do professor Ademir ou com as minhas colocações, eu convido para fazer uma visitinha a qualquer escola pública do país e constatar o que temos vivido.

Entrevista completa no site: www.tribunadoplanalto.com.br
Opinião/Entrevista/Ademir Luiz da Silva
Ano IV, Número 440
Goiânia, 18 a 24 de Outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Tempos de serenata...

Fico triste quando vejo que praticamente já não há mais o tão necessário romantismo nos relacionamentos. O "amor" passa a ser demonstrado através de presentes caros, e o pior, as pessoas parecem se acostumar com isso.
Dia dos namorados, aniversário, aniversário de namoro, aniversário de casamento, natal, entre outras datas, passam a ser regadas com presentes como roupas e/ou calçados de marca, bouquet de flores com um cartão geralmente nada original (tem homem que pede a própria atendente da floricultura pra escrever algumas frases e não tem sequer a decência de ler o que está no cartão!!!) entre outras práticas às vezes tão vazias de sentimento. Não sou contra dar ou receber esse tipo de presente. Eu também gosto de flores, bombons, roupas, mas às vezes eles se tornam tão monótonos porque não são acompanhados de carinho, de amor. Além disso, eu acho que não precisamos esperar uma data comemorativa para expressar o nosso sentimento. É tão bom ser surpreendida derrepente com um "Eu te amo", "Você me faz muito feliz", "Preciso de você"!!!!
No último sábado, por volta das 2h da madrugada, fui acordada ao som de uma melodia lindíssima. Era o meu amore expressando o terno sentimento que nos une e nos tem fortalecido dia após dia. Como disse uma amiga, ele cantou e me encantou. Ao abrir o portão e me deparar com ele ali, tocando violão e cantando a nossa música, faltaram-me as palavras e só consegui expressar através de um abraço forte o que estava sentindo no coração.
As palavras ainda me faltam até porque tem coisas que são melhor quando sentidas do que quando faladas, por isso, só quero compartilhar com vocês essa canção tão linda:

Que sejas meu universo (PG)

Que sejas meu universo
Não quero dar-te só um pouco do meu tempo
Não quero dar-te um dia apenas da semana
Que sejas meu universo
Não quero dar-te as palavras como gotas
Quero que saia dilúvios de bençãos da minha boca

Que sejas meu universo
Que sejas tudo o que penso e o que tenho
Que de manhã seja o primeiro pensamento
E a luz em minha janela
Que sejas meu universo
Preencha a cada um dos meus pensamentos
Que a tua palavra e o teu poder seja meu alimento
Jesus esse é o meu desejo

Que sejas meu universo
Não quero a minha vontade, quero agradar-te
E cada sonho que há em mim quero entregar-te

(Bis)


Que tal expressar hoje, de uma maneira diferente, seu sentimento por quem você ama??!!

domingo, 4 de outubro de 2009

Sem título, sem nexo, sem nada, só vácuo...

Já faz tanto tempo que não posto nada.
Eu poderia falar sobre tantas coisas!!!! Há selinho em atraso (amigo Marcone, desculpe, assim que possível, vou buscar o teu mimo, tá!!!); sobre a minha defesa de mestrado que foi ótima, terminei mais uma etapa na minha vida; ou sobre a aprovação em um concurso que tanto desejei e que me trouxe tanta alegria; sobre a minha família tão maravilhosa e única, que faz os meus dias terem a cor do amor; ou, ainda, sobre a nova vivência que tenho experienciado nos últimos dias.
Não sei.
Como diz meu amigo Rogério em um de seus posts: Id e Ego estão em confronto em mim, estou sem forças pra relutar, pra raciocinar, pra decidir. Só consigo contemplar e nada dizer, nada fazer.
Não estou conseguindo ouvir o diálogo entre Id e Ego, não estou conseguindo compreender seus argumentos, nem mesmo consigo identificar o idioma que estão usando. Acho que é mais complexo do que eu poderia imaginar.
Eita...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Águia

Sinto-me como águia agora, que se afasta, vai para o alto, para o distante.
Busco agora a companhia do Espírito Santo de Deus e quero com Ele conversar.
Meditar.
Refletir.
Talvez darei início ao processo de renovo em mim.
Renovo do corpo,
da alma,
do espírito.

sábado, 12 de setembro de 2009

A música do vizinho!

Depois de uma semana de muiiiiiiiiiiiiito trabalho, pensei que eu fosse ter uma tarde de sábado bem tranquila. Eu me programei pra dormir a tarde no intuito de descançar. Me pergunta se eu consegui???
Quando eu comecei a dormir, adivinha??? Meu querido vizinho resolveu ouvir música (se é que pode-se chamar aquilo de música) e compartilhar com tooooooooda a vizinhança. Eu acordei assustada, procurando meu celular porque estava ouvindo telefone tocando. "Alô?", "Alô?", depois do terceiro ou quarto "Alô?", ditos em solonência tremenda, eu me dei conta de que meu celular não estava tocando. Era uma "música" que começa com o barulho de um telefone tocando.

Eu não acreditei no que estava acontecendo. O som "maravilhoso" continuou por mais de uma hora, e uma certa música foi repetida umas 9.394.953.219 de vezes!!!!! Parem o mundo que eu quero descer!!! Gente, eu não mereço uma coisa dessas.

Resultado: Estou muiiiiiiiiito nervosa. Não consegui dormir quase nada, acordei com um som infernal e por isso não descancei nada.

Quero fazer duas colocações:

1) Se alguém quer ouvir música, ótimo, fico feliz. Mas não precisa querer "dividir" o som com toda a vizinhança, porque é provável que cada um esteja ouvindo sua própria música ou fazendo outras coisas que talvez até requeiram certo silêncio;

2) Não se sabe se todos compartilham do mesmo gosto/estilo musical. Ninguém pode obrigar o outro a gostar de certa melodia e letra. A pessoa deve ser atraída, não forçada.

Vou tentar reproduzir, com as minhas palavras, a bendita música (lixo sonoro):

"Trimmmmmmm, Alô?, [...] eu vou pegar na sua perereca, eu vou pegar na sua perereca, ... vem aqui pro seu sapão"

Alguém me explica como existe ser humano que escuta uma música dessas?? E o conteúdo? E a melodia? E a reflexão? E a cultura?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Eu e o blog

Eu adoro receber selos, memes e ser convidada para participar de brincadeiras aqui na blogosfera.
Desta vez, a brincadeira foi proposta pelo meu amigo Marcone França (Deus cuida de mim). Então, vamos lá.

Tem algum (ou mais de um) blog que te ajudou a blogar quando iniciou (dicas, receptividade, incentivos)?

Comecei a ter contato com alguns blogs por causa da minha pesquisa de mestrado cujo tema era o uso de blogs para o ensino e a aprendizagem de língua inglesa. Também a Flávia Devathai (Diário da Devathai), uma amiga dos tempos da faculdade, me enviou o link do blog dela e, após visitá-lo, não parei mais. Através do blog dela tive acesso a outros e por aí vai. O blog da Elaine (Um pouco de mim) me ajudou muito com dicas, informações, sem contar que ela é uma fofa, muito prestativa, criativa e escreve muito bem.

Qual foi sua fonte inspiradora?

Todos os blogs que eu visito são fontes de inspiração pra mim. Além disso, a vida é a minha maior inspiração para blogar.

Blogar é muito gratificante quando:

Há interação. É muito bom quando você escreve algo que as pessoas vêm, leem e comentam. É uma interação prazerosa e enriquecedora. Também adoro visitar blogs interessantes, com postagens de temas diversos. O ângulo do meu olhar tem se expandido cada vez mais.

Não é gratificante quando:

Não há comentários ou quando há comentários desagradáveis ou, ainda, quando a pessoa comenta e não se identifica.

Quanto tempo você dedica ao seu blog?

É um detalhe complicado. Eu amo blogar, poderia viver sem orkut, sem msn (também nem tanto né, exagero ...), mas não sem blog. Se eu pudesse, blogaria todo dia, mas... não tenho tanto tempo disponível. Geralmente, de 3 a 4 vezes por semana entro no meu blog, vejo se recebi comentários e visito alguns blogs.

Em que horário você gosta de blogar?

Qualquer horário que eu tiver disponível. Pra mim, tudo isso aqui é tão prazeroso que qualquer hora é hora.

O mundo da blogosfera seria mais interessante "se":

Não houvesse plágio;
se houvesse mais respeito e menos desentendimentos (nunca aconteceu comigo, mas já aconteceu em outros blogs que acompanho).

Gostaria de saber como outros amigos blogueiros iniciaram sua estrada na blogosfera. Passo a brincadeira para Rogério (Aprendiz de leitor), Kamila (Sou assim, Eu mesma), Monique (Protestosedeclaraçõesdeamor), Sheila (Em formol), Michele (Unforgettable Things).


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Falando com e sobre Deus

Ano passado foi um ano difícil. Primeiro porque foi quando me separei do marido e, apesar de já não amá-lo mais (as decepções foram inúmeras, afff... sem comentários), fim de casamento é resultado de sonho e projeto de vida frustados e, por isso, meu emocional ficou bem abalado na época.

Segundo porque, em razão das circunstâncias, foi difícil continuar o curso de mestrado (coletar dados para a pesquisa, cursar disciplinas, fazer trabalhos para as disciplinas). Houve vezes que eu queria ficar quietinha, ali num cantinho, mas eu não tinha tempo nem pra sofrer porque tinha um mestrado pra terminar, tinha empregos pra continuar, eu tinha que prosseguir. A maior parte dos amigos sumiram, poucos permaneceram e outros conquistei (muito obrigada por todo apoio!!).

Meu relacionamento com Deus era razoável naquele tempo, mas nada que pudesse ser comparado ao que tenho hoje. Tudo o que vivi significou uma oportunidade única de deixar para trás toda a dor causada pelo homem e dar espaço para o amor de Deus. Lembro que, num certo dia, quando sentei para começar de fato a escrever minha dissertação de mestrado, orei a Deus para que Ele me inspirasse. Foi quando decidi escrever uma oração em forma de agradecimento por tudo que o Pai Celestial fez e tem feito por mim. Gostaria de compartilhá-la com vocês.

A Ti Senhor, tão somente, o meu maior e mais sincero agradecimento...
por tantas vezes colheres as lágrimas que brotavam dos meus olhos insistentemente;
por me teres tirado de lugares sombrios e tristes, cuja escuridão não me permitia ver nem sentir a Tua presença, nem mesmo ouvir a Tua voz, canção tão doce e suave, imersa que estava em meus gritos de dor e desespero;
pelos momentos durante os quais Tu estendias Tuas mãos serenas e elas me alcançavam de forma que eu jamais estava sozinha;
pelo óleo refrigerador derramado tantas vezes sobre minhas feridas, amenizando as dores, curando-me a alma;
pela doce companhia do Teu Espírito que, com palavras silenciosas, acalmava o meu ser, outrora tão marcado pelo transtorno do medo e da solidão;
pelas vezes, não poucas, que me ouvias pacientemente falar das minhas angústias e dos meus problemas, frustrada por não conseguir resolvê-los;
por não teres desistido de mim nem me deixado desistir, apesar de tantas vezes ser isso o que eu queria;
por me teres atraído a Ti de uma maneira tão bela e gentil;
por me mostrares um caminho por meio do qual eu poderia Te encontrar verdadeiramente e, em Tua tão doce companhia, poderia prosseguir sem nada temer;
por mudares a minha sorte, diante dos meus olhos, a despeito daqueles que tantas vezes tentaram pôr fim aos meus sonhos;
por me teres revelado o Teu amor;
por teres cuidado tanto de mim;
por moldares, delicadamente, o meu ser, fazendo de mim uma pessoa melhor a cada dia;
por retirares as muitas nuvens, tantas vezes escuras, que encobriam-me a visão impedindo-me de ver os raios de luz que Tu me oferecias;
por me despertares para Ti;
por trazeres à existência coisas inimagináveis;
por me mostrares que, quando eu me sentia mais fraca, era o momento que Tu mais me fortalecias e me capacitavas;
por me teres disciplinado a viver em Santidade, apesar de nem sempre ser fácil;
por me ensinares a crer no impossível;
por me ensinares a esperar em Ti;
por ouvires a voz do meu coração quando minha boca não conseguia proferir sequer uma palavra, dadas as situações tão difíceis na quais me encontrava;
por transformares a minha vida, fazendo-me Teu vaso de honra;
por me agraciares com o dom da vida;
por tão abundantes bênçãos recebidas de ti;
por me ensinares a não revidar ofensas;
por sonhares comigo os meus sonhos, arquitetando minuciosamente cada detalhe;
por me renovares tão surpreendentemente a inspiração quando achava que já não a tinha mais;
por transformares o meu deserto em manancial, em jardim, lugar de encontro com o Senhor.
Ah, Deus!
São tantas coisas que tenho para agradecer... mas o meu agradecimento prossegue, em outros momentos e lugares, em forma de adoração, louvor e oração.
Tudo o que sou, tenho e faço é pra Ti, Senhor.


P.S.: Só pra constar, hoje, pouco mais de um ano após a minha decisão, posso afirmar que sou imensamente feliz e que Deus tem cuidado de mim de uma maneira surpreendente. E pra registrar: minha defesa de dissertação de mestrado está marcada para o dia 18 de setembro, às 14h. I am so happy!!! Prometo compartilhar com vocês detalhes desse acontecimento!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Chuvinha mansa...

Tenho estranhado esse tempo no Brasil: Chuva??? Em agosto??? Comofas???
Não me lembro de ter passado um mês de agosto tão a gosto assim. Geralmente nessa época do ano há muito vento, as folhas das árvores caem e fica uma paisagem muito seca, quente, triste.
Mas, nesse ano, fomos presenteados. Sabe quando o céu fica nublado, começa a chover aquela chuvinha longamente mansa e você faz charme com um casaco? É uma delícia!!! Eu amo esse tempo!
Se tem uma coisa que eu gosto é o fato desse país ter as quatro estações! Tudo bem que nem sempre são bem definidas (há vezes que vivemos 2 estações no mesmo dia! hehehe...).

Gosto de me cobrir com o cobertor e ficar olhando a chuva lá fora.
Gosto de ouvir os pingos que caem, parecendo cochichar.
Gosto de ouvir a melodia da natureza, cujas notas musicais embalam o meu corpo em suaves movimentos.
Gosto de observar que o tempo passa devagar nessa hora porque tenho a impressão que até o relógio fica preguiçoso.
Gosto do aconchego e do calor que há nos braços de alguém. O abraço fica mais gostoso quando é tempinho de chuva!!

Eita! Vou ali tomar um chocolate quente!

sábado, 15 de agosto de 2009

Um abismo entre o passado e o presente

Naquele tempo, não tínhamos televisão, apenas um rádio que minha mãe ligava pouco pra economizar as pilhas. Lembro-me que nossas noites, iluminadas por lamparinas ou velas, eram regadas com boas conversas após o jantar. Meu pai e minha mãe sempre tinham alguma história pra contar. Os olhinhos dos meus irmãos (e também os meus!) ficavam sempre atentos pra não perder nenhum detalhe. Eram histórias de aventuras, travessuras e de horror! As de horror eram as piores porque meus irmãos sempre me passavam medo à noite, e eu chorava... (rsrs...)

Foi um tempo difícil. O dinheiro que meu pai ganhava mal dava pra fazer as despesas básicas. Ainda bem que morar em fazenda significava ter fruta no pomar, horta e ovo. Mas também foi uma época marcante na minha vida. Minha infância teve um sabor delicioso. Os nossos brinquedos eram improvisados e ficavam por conta da imaginação mesmo. Eu fui princesa, modelo, dona de casa (eu fazia cuzinhadinho!), comadre, professora, super-heroína... Ah... era tão bom. Férias era sinônimo de festa! Era quando meus primos vinham passar uns dias na nossa casa, ou íamos pra casa deles. Brincávamos de pique-esconde, pique-pega, barra-manteiga, baliza, salada mista, queimada, futebol até ao anoitecer (meus irmãos não gostavam que eu brincasse de futebol porque eu corria e pegava a bola com a mão e achava justo marcar um gol assim por ser a menor!!!). Só parávamos porque minha mãe nos colocava pra tomar banho.

Os anos se passaram e nossa vida melhorou em vários aspectos. Viemos pra cidade estudar e trabalhar e, com isso, conseguimos mais conforto e tranquilidade. Meus pais venderam a fazenda do tempo de nossa infância e hoje eles têm uma chácara que só vamos pra passear nos fins de semana, feriados, férias.

Hoje, quando vejo que as famílias nem se reunem mais durante as refeições, eu fico triste. Há pessoas que preferem assistir TV a conversar com a família. E o pior: às vezes nem sentam juntas na sala pra assistir o mesmo programa porque cada uma vai pro seu quarto e liga a própria TV. É muito isolamento. Isso é trocar bons momentos de conversa, ouvir histórias tão legais, conviver com as pessoas que mais amamos, por programas de TV tão vazios, violentos e artificiais. Depois ainda perguntam por que as crianças de hoje são tão agressivas e irrequietas! Falta o tempo gasto com a família. Falta nutrir o amor com boa convivência.

Eu sei que deveria assistir mais TV, até porque sou professora e preciso estar informada. Mas, quando chego em casa, prefiro conversar com meus pais, ler um bom livro, falar com Deus. Percebi que a televisão no meu quarto (sim, eu tenho uma!) está virando artigo de museu porque outras coisas me atraem mais.

A infância de hoje é industrializada e dura menos. Tem até animalzinho de estimação virtual! Aff... coitadas dessas crianças, não sabem o quanto é bom correr atrás do cachorrinho, afagar um gatinho, tomar banho no rio! É uma pena.

Eu ainda me lembro da minha cachorrinha Suzi e das nossas longas conversas... (sim, naquele tempo, ela conversava).

PS: Desculpem-me pelo sumiço. Foram dias de muito trabalho e pouco tempo.

Selo meme!

Este é o selo para os que gostam de uma boa leitura. Eu o recebi do meu amigo Marcone.












As regras são simples. Tem o meme para responder e é só repassar para cinco blogs de amigos leitores. Vamos para as perguntas:

Que livro está lendo ou qual o último que leu?

São dois: O poder da mulher que ora e
O Guardião de Memórias

Qual livro preferido?
A Bíblia.

Um livro que não consegue terminar de ler?
Grande Sertão Veredas. Eu tento, mas não consigo (hehehe...)

Aquele que não sai de sua cabeceira?
A Bíblia.

Escritor preferido?
Augusto Cury e Clarice Linspector.

Eu recomendo?
O poder da mulher que ora (esse livro é perfeito, independente de idade e credo religioso)

Eu não recomendo?
Pornografia.

Passa este selo para quem?
Para Anabella, Elaine, Márcia, Sheila, Vagner.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Carta para uma amiga

Olá minha cara,

Algumas dezenas de dias se passaram desde que entramos de férias, no tão esperado julho! Da minha parte, posso confidenciar-lhe que foi um mês maravilhoso, o vivi tão intensamente como nunca o tinha feito outrora. Vivi com a alma, com todo o meu ser, e isso fez toda diferença. Posso dizer até que ele não foi curto nem extenso demais, foi o bastante.

Tenho muito a lhe falar, mas confesso que já não há mais tanto tempo disponível para fazê-lo. Assim, ater-me-ei àquilo que eu julgar mais relevante para o momento.

Primeiro, quero pedir-lhe perdão por minha ausência espiritual/social, embora meu corpo estivera presente em nosso ambiente de convívio. Percebi-me estranha e indiferente no local de trabalho, na igreja, na família... Senti minha alma deslocada, habitando num corpo quase estrangeiro, dada a não-sintonia entre eles por algum tempo. Enfim, após dias de demasiado conflito, a paz voltou a habitar em meu coração, ou talvez nunca o tivesse abandonado, apenas se espreitado, dando lugar a uma tsunâmica (des)organização em minha vida, tão confusa, tão necessária.

Terminei, felizmente, a leitura de Perdas & Ganhos (Lya Luft). Diria também infelizmente. Sim, sentimentos paradoxais despertados por uma leitura que fiz, na verdade, não desse livro, mas de mim mesma, do meu interior, do meu ser. Um livro consideravelmente pequeno, todavia capaz de provocar em mim um hibridismo revelador. Ler-me foi ora estranheza, ora deslumbramento. Eu era um livro fechado e, ao abri-lo, pude ouvir o murmurar de uma alma tão desconhecida por mim mesma, um universo que eu não desbravei antes porque a expedição pra dentro de mim talvez sempre me atemorizasse.

“Ah, então você deve ter lido esse livro em um dia, no máximo dois” – você, amiga, me indagaria. Minha resposta? Não. Eu o li em trinta dias! A leitura foi sobremaneira densa que foi preciso me delongar em suas páginas para saborear o paladar ali escondido. Tive ímpetos, não poucos, de cerrá-lo e não continuar a leitura, pois vi, diversas vezes, a estrutura da minha alma sendo destruída, feridas sendo abertas e vi-me nua, sem máscaras, sem dissimulações. Mas não poderia perder-me em mim. Chega de ter medo. Era preciso estudar-me, mesmo sendo meu interior um território desconhecido, ainda.

Eu poderia citar aqui inúmeros fragmentos com quais me identifiquei por inteiro. Mas, atenho-me a dois:

“A vida não está aí apenas para ser suportada ou vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada” (p. 155). Entendi que não preciso suportar-me, suportar o meu passado, parte do qual você conhece, não preciso suportar as minhas dores. Eu posso elaborar-me, reprogramar-me, reprogramar os meus conceitos.

E, por último, “... por mais que os escritores escrevam, os músicos componham e cantem, os pintores e escultores joguem com formas, cores e luzes -, por mais que o contexto paralelo da arte expresse o profundo contraditório sentimento humano, embora dance à nossa frente e nos convoque até o último fio de lucidez, o essencial não tem nome nem forma: é descoberta e assombro, glória ou danação de cada um” (p. 156). Percebi que o essencial, para mim, é viver segundo a vontade de Deus, o amado da minha alma que dissipa todo e qualquer medo, que escreve o enredo de minha estória com caneta de ouro. Há conceitos, alguns milenares, elaborados pela sociedade os quais eu não preciso aderir, mas tão somente reelaborar, e a vida será certamente melhor. Simples assim.

Obrigada, amiga, por compartilhar comigo uma leitura tão fabulosa.

Um saudoso e terno abraço,

Rejane Maria Gonçalves

domingo, 2 de agosto de 2009

O que é essencial pra você?

"Por mais que os escritores escrevam, os músicos componham e cantem, os pintores e escultores joguem com formas, cores e luzes -, por mais que o contexto paralelo da arte expresse o profundo contraditório sentimento humano, embora dance à nossa frente e nos convoque até o último fio de lucidez, o essencial não tem nome nem forma:
é descoberta e assombro, glória ou danação de cada um."

(Luft, Lya. Perdas e Ganhos. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 156)

Essencial pra mim é viver sem medo.

E aí, o que é essencial para você?

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mulher X Homem: direitos e deveres

Eu sei que deveria ser mais tolerante, mas... putz!!! Com certas coisas eu não consigo. Estou cansada de certos comportamentos de algumas pessoas. Tem gente que é sem noção!!!

Acho realmente maravilhoso nós mulheres termos conquistado tantos direitos! Mas, se é pra termos direitos iguais, e os deveres? Não entram na tal igualdade? Quer ter o direito de ter uma profissão? De ter o próprio salário? De ir e vir como bem quiser??? Ah, que ótimo. Então, que tal ajudar a pagar as contas que você também ajuda a fazer (luz, água, supermercado, farmácia, vestuário etc etc etc e mais etc)????

E se a mulher ajuda nas despesas, por que o homem não pode ajudar com as tarefas de casa? Ver um homem sentado no sofá, assistindo TV, pedir um copo d'água pra mulher que está lááááááá no quarto organizando a gaveta de cueca me dá nos nervos. Casa dá muito trabalho. Roupa pra lavar, passar e guardar; comida pra fazer; limpar a casa; cuidar dos filhos, dos animaisinhos de estimação, afff... é muita coisa.

Se é pra sermos modernos, que comecemos com as nossas próprias atitudes.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mensagem para o futuro

Como você estará daqui 5 anos?
Terá realizado parte dos seus sonhos?
Onde estará morando?
Como estará a sua vida familiar e profissional?
Que experiências terá vivido?
Se você pudesse, o que gostaria de dizer pra você mesmo daqui 5 anos?

Hoje eu estava vasculhando a internet e encontrei um site muito diferente (pelo menos pra mim, rsrs...). O http://www.futureme.org/ é um site que permite você escrever uma mensagem/e-mail pra você mesmo e programar a data de recebimento. Estranho né?!! Mas é bem interessante! A minha chega no dia 26 de setembro de 2014!

Que tal escrever a sua???!!

sábado, 18 de julho de 2009

Religião, futebol e política não se discute. Quem disse isso?

Cresci ouvindo que Futebol, Política e Religião não se discute. Minha mãe dizia que eram assuntos perigosos, que poderiam levar as pessoas até a brigar. Por isso, cresci tendo medo de um flamenguista encontrar com um palmeirense, um PMDBista cruzar o caminho de um PTista (meu avô era PMDB roxo!!!). Sobre religião era a verdadeira paranóia. Nasci católica, daí o medo que eu tinha de pessoas espíritas (pra mim, eram todos macumbeiros!) e a preguiça que eu tinha dos crentes!? Aff.. pra mim, eles eram sinônimo de chatice e fanatismo.

Não nego que acabei me tornando preconceituosa em relação a muita coisa e, por essa razão, eu evitava contato com pessoas que não se enquadrassem nos parâmetros da minha família. Até que as coisas foram mudando. Conheci o espiritismo após a morte de um tio muito querido. Algumas pessoas levavam livros de romances espíritas para a minha tia ler e eu, que ficava muito na casa dela, acabei lendo vários. E o fato é que gostei. Gostei tanto que acabei "estando" espírita por muito tempo. Li muito. Aprendi muito. Daí eu conheci o protestantismo e encontrei o que realmente me satisfazia. Apesar de relutante, fui aos poucos visitando algumas igrejas. Hoje sou evangélica e sou feliz.

Pareço macaco de galho em galho? Sinceramente, eu penso que não. Ser preconceituosa me incomodava e o único caminho para deixar de sê-la era conhecer. Conhecer de viver e não só de ouvir falar ainda é uma das formas mais seguras que temos para não nos enganarmos e, ainda assim, infelizmente, alguns ainda se enganam muito. Já ouvi muitas piadinhas desagradáveis do tipo: "Ah, mas você é crente e crente não faz isso!", "Você viu o que fulano fez?? Pudera, todo crente é safado!" "Nossa, ele ainda se diz crente?!", e tantos outros.

Acredito que o problema nem sempre é a religião, mas é como o ser humano a vive.
Sei que há muito fanatismo religioso em vários seguimentos. Alguns vivem como se uma denominação X pudesse garantir o caráter de uma pessoa, ao passo de outra Y que tem o poder de diminuir. Pessoas assim vivem religião como rótulo, não como essência. O resultado vai desde a desentendimentos familiares até guerras entre países.

Já li um pouquinho sobre Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo, entre outras religiões. Há diferenças? Há sim, certamente. Mas há também uma base comum que prega a paz, o amor, o auto-controle, a saúde física e mental. Acho que todo mundo deve ter uma religião sim, pois ajuda a pessoa a viver determinadas situações da vida.

Não tento impor a minha atual religião a ninguém. Imagino o sofrimento que seria se outros povos chegassem hoje ao Brasil dizendo que o Cristianismo é uma farsa, que não há Deus e que, por isso, deverei seguir a religião X e adorar os deuses Y, Z e W! Seria uma afronta ao que sou, ao que penso, ao que vivo. Por isso, respeito o indivíduo como ele é e com suas escolhas e não imponho nada.

Sinceramente, acredito mesmo que religião é invenção do homem. São formas/nomes diferentes de seguir um Ser superior, prestar culto a Ele e confessar a nossa fé. Não há nome de nenhuma religião citada na Bíblia, Só há o nome de Deus.

E política? Há políticos bons e ruins em todos os partidos. Não tem como defender um ou outro porque a corrupção é como praga, se alastra, independente do quintal (ops! partido). Assim como há times e times. Acredito que tudo depende do esforço e da dedicação dos jogadores e das equipes de apoio para fazer sempre o melhor.

Quem deixa de discutir religião, futebol e/ou política por achar que são tabus, na verdade, o faz por medo de não ter conhecimento e argumento suficientes para manter uma boa, respeitosa e racional conversa.

Colocando em dia os meus selinhos!




Recebi este selinho da Karol, do blog "Florzinha da vida". Gostei do tema porque tudo o que fazemos deve mesmo ter Deus sempre presente.

Regrinhas:

Pensamento sobre Deus: Muitas pessoas dizem que não podem ver nem ouvir Deus, por ser Ele invisível. Eu vejo Deus, em tudo o que Ele faz por mim. Eu o vejo na minha família, nos meus amigos, no meu trabalho. Eu posso ouvi-lo sussurar ao meu ouvido palavras de conforto, quando meu coração está triste. São tantas as vezes que Ele, no meu quarto, puxa uma cadeira e senta para conversar comigo! Ele me ensina tanto com um simples sorriso de amor, com seu silêncio que fala tanto!

Indico alguns amigos para recebê-lo: Anabela (Um pedaço de mim), Elaine (Um pouco de mim), Michele (Unforgettable things), Patrícia (Mariachiquinha), Wagner (... lírico ...).


Este outro selinho (Fada da sorte) foi conferido por minha amiga Patrícia do blog "Mariachiquinha".

Tem regrinha:

Indicar 3 amigas para recebê-lo: Jéssica, Karol, Vitória.

Citar 3 pedidos: 1) Ter sempre saúde, paz e amor; 2) Conhecer vários lugares; 3) Ver um mundo mais humano e solidário.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cenas que falam...

Sempre gostei de viajar. Curtas ou longas, as viagens que já fiz proporcionaram-me sempre momentos de descontração e aprendizagem. São instantes assim que, ao olharmos pela janela do meio de transporte que utilizamos, seja ele avião, ônibus, trem ou carro, mergulhamos em nossos próprios pensamentos e refletimos sobre fatos importantes que aconteceram outrora e traçamos metas a serem alcançadas num futuro próximo ou distante.
Eu tinha vontade de conhecer Pirenópolis. Interessante o fato de ser uma cidade perto da minha (150km) e eu nunca ter ido lá antes. Entrei de férias na semana passada, arrumei a mala e fui com algumas amigas. As quase duas horas de estrada foram regadas a muita música, histórias e risos. Ao chegarmos lá, tivemos um pequeno inconveniente com o carro, mas nada que um prestativo mecânico não resolvesse. Procuramos, então, um lugar para nos hospedarmos. Pirenópolis é uma cidade histórica de Goiás e, por isso, turística. Assim, não foi difícil achar um lugar bom e barato pra ficarmos. Após o almoço, fomos para uma cachoeira chamada "Meia Lua". O rapaz que nos vendeu o ingresso (para se ter acesso a qualquer cachoeira lá é preciso pagar!) disse que levaríamos 15 minutos pra percorrer os 4km até a cachoeira. Tudo bem. Acho que ele não sabe olhar no relógio. Gastamos 40 min pra chegar lá!!! A estrada??? Horrorosa. Cheia de buracos, estreita. Aff... Teve momentos que tive vontade de descer, pôr o carro nas costas e sair andando. Aquilo lá é estrada de rali e eu não tenho nenhum talento pra rali do batom!!! Só isso??? Não. Chegamos ao estacionamento da cachoeira, deixamos o carro, pegamos nossas coisas e começamos a descer os degraus
degraus
degraus
degraus
degraus
degraus
Gente! Era degrau que não acabava mais! E pra subir???! Eu pensei que minhas amigas teriam que chamar o guincho. Mas valeu a pena. O lugar é lindo, super agradável, tranquilo.
Na manhã seguinte, saímos pra tomar o café. Passamos perto de uma construção que parecia estar abandonada. E algo me chamou muito a atenção. Algumas pessoas aproveitaram as características daquele lugar e montaram um cenário pra expor alguns trabalhos.


(Texto das placas: Separe o lixo, junte ideias; Renove seus espaços e seus conceitos)
(Texto da placa: Recicle também os seus atos)

Eu fiquei ali por um bom tempo, olhando a cena, lendo a imagem, tirei algumas fotos, fiquei pensando sobre mim. Caramba!! Por que será que aquela arte de rua tão bizarra mexeu comigo? Era só uma construção velha, cheia de entulho, odor não muito agradável e nada de muito colorido. As minhas amigas me chamaram e continuamos a percorrer algumas ruas de Pirenópolis.
O passeio foi muito bom. Lugar diferente, gente diferente, comida diferente.
Voltei diferente.
Comecei a refletir sobre aqueles dizeres. Separe o lixo: Lixo? De que lixo estão falando? Será que eu tenho que ajudar a separar o lixo? Mas eu já faço isso: papel de um lado, orgânico de outro...
Junte ideias: ideias? as minhas ideias? O que tem a ver as minhas ideias? Renove seus espaços e seus conceitos: Como assim? Renovar os meus espaços? Será que estão dizendo pra eu mudar pra outro lugar? E os conceitos? Mas eu acho que eu sou bem resolvida, mente aberta.
Recicle seus atos: Pronto. Reciclar os meus atos. Mas eu me comporto direitinho. Trato bem as pessoas, sou organizada, dedicada, do tipo certinha.
Não. Aqueles dizeres não eram pra mim.
Fiquei confusa. Por que cargas d'água alguém inventa expor trabalhos naquele lugar, daquele jeito? O que estão querendo dizer?
Será que aquela cena estava ali pra mim?
Leva-se tempo pra entender certas coisas. Principalmente quando achamos que já está tudo certo aqui dentro de nós.
Lixo? Será que tem lixo dentro de mim? Bingo!! Tem sim. Há muito lixo dentro de mim, em forma de conceitos ultrapassados, de lembranças tristes, de uma infinidade de "se"s que me aprisionam.
Juntar ideias? Ideias? Quais são as minhas ideias? Acho que a rotina acabou por envenenar o meu lado criativo. É. A verdade é que há muito eu não tenho ideias novas, diferentes do habitual.
Renovar espaços e conceitos. Agora eu entendo. O espaço aqui dentro de mim está feio, sujo até. Estou mesmo precisando lançar fora algumas quinquilharias, organizar a mente e o coração, dar um novo tom. Isso significa mexer em alguns conceitos (pré-históricos!) meus.
Recicle seus atos. Ihhhh... sinceramente?? Acho que tenho sido séria demais, certinha demais, boazinha demais, educadinha demais, inha... inha... inha... Talvez eu não precise levar certas coisas tão a sério. Aliás, uma boa dose de comicidade e adrenalina até ajudam a temperar a vida.
A viagem para Pirenópolis não me rendeu nenhum "affair" como eu esperava. Mas me rendeu, além de bons momentos com minhas amigas, uma viagem pra dentro de mim mesma com direito a pit-stop.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Há certas horas...

Eu já falei aqui que gosto de poesias né. Então. Elas são meus tickets de viagem, meu divã, meu espelho, são o 'outro' com quem eu passo horas conversando, refletindo, aprendendo. Hoje eu quero adornar a minha mente com uma pérola shakespeareana.

Amor

Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro,
o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado... Sem nada dizer...
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar,
que desejamos uma presença amiga,
nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!
William Shakespeare

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Desabafo...

Eu só vou falar aqui do Michael Jackson porque não quero mais engolir seco.
Não sou e nem nunca fui fã desse cantor. Gosto de algumas músicas dele, mas é só isso.
Pra mim, ele foi um cantor de talento, fez muita caridade e, por isso, merece todo o meu respeito. O meu RESPEITO, NÃO A MINHA ADORAÇÃO!!!
Eu acho um absurdo alguns comportamentos humanos em relação ao acontecimento. Teve fã que tentou se matar porque o ídolo morreu; apareceram mais sósias do cantor; a mídia está explorando o assunto de tal maneira que rios de dinheiro estão correndo!!!
Gente! O Michael Jackson foi um ser humano, não um deus. Que absurdo é esse de ficar adorando-o como se ele fosse uma divindade? Tem gente que nunca o viu e quase se derreteu em lágrimas! Pra mim, isso já é exagero e dos grandes.
Por que não adorar o verdadeiro Deus? Por que não olhar para os lados e ver quantas pessoas estão precisando de um prato de comida, um agasalho, um medicamento, um abraço???!!

Desculpem-me os fãs desse tipo (porque tem aqueles que sentiram a perda de uma maneira bem mais racional), mas eu acho que alguns estão precisando refletir um pouquinho sobre isso.

Como você gasta o seu tempo?

O TEMPO

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...

E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


Precisa falar mais???

sábado, 27 de junho de 2009

Quem é o(a) autor(a) do seu roteiro?


Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério.

A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
(Lya Luft)

Algumas pessoas se deixam levar pela vida, pelas circunstâncias.
Algumas pessoas se deixam "mutilar" pelo ódio, pela inveja, pela frustação, pelo medo.
Algumas pessoas acabam sendo robozinhos que agem mecanicamente obedecendo o roteiro escrito por outras pessoas.
Eu não quero passar pela vida e nem deixá-la passar por mim. Eu quero vivê-la. Se eu errar, e daí?? Errei e pronto. Aprendo e tento não errar mais. Não quero odiar ninguém por ter me ferido. Ódio alimentado é câncer desenvolvido em nós. Não quero invejar ninguém, pois Deus me deu tudo o que preciso para conquistar tudo o que almejo: Saúde, fé, amor, perseverança. Não quero ter medo de fazer as coisas pelo fato de elas, ainda, me serem desconhecidas.
No palco da minha vida sou eu quem escreve o roteiro, quem dirige as cenas, quem protagoniza. É a minha vida e eu quero vivê-la com arte, com sabor!

Mais selinhos!

O selo "Teu blog é Tri Legal!" foi concedido por minha amiga Elaine (Um pouco de Mim).


As regrinhas são:
1- Citar 5 características suas: sincera, fiel, persistente, dedicada, temente a Deus;
2- Citar 5 desejos que possue: conhecer vários lugares/países, trabalhar em uma universidade federal, publicar artigos e/ou livros, ter minha casa própria, ver o mundo menos violento e mais humano.
3- Citar algumas amigas para recebê-lo: Michele, Sheila, Monique.

Este outro selinho foi concedido por minha amiga Patrícia (Mariachiquinha).


As regrinhas são:
1- Publicar o selo no blog. (OK)
2- Indicar blogs de amigas para recebê-lo: Eliane Carolina, Anabela, Mishal (OK)
3- Avisá-las que receberam o mimo. (OK)


Obrigada pelo carinho!!!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Feliz...


Ontem foi um dia especial pra mim. Depois de muito sufoco, muitas leituras e horas e horas em frente ao computador, terminei a minha dissertação de mestrado, entreguei as cópias na faculdade e meu orientador marcou a minha qualificação para o dia 1º de julho. Nem acredito!!! Tudo bem que depois eu terei ainda, provavelmente, muitas coisas pra arrumar no trabalho, mas... até lá... eu posso descançar um pouquinho. Descançar??!! Bem, na verdade, nem tanto assim. Ontem mesmo voltei à ativa, depois de 30 dias de licença médica. E é sobre isso que quero falar.
Às vezes eu fico muito chateada com o comportamento dos alunos. Como professora, escuto coisas desagradáveis, vejo situações inacreditáveis e, às vezes, me sinto uma louca falando sozinha. Mas, esse tempo de afastamento da escola me fez perceber uma coisa: o carinho dos meus alunos por mim! Tudo bem, sou realista. Sei que não agrado todo mundo. Até porque eu sei que sou muito exigente e isso faz de mim uma chata. Mas, há aqueles que gostam mesmo de mim. Recebi inúmeros recadinhos no orkut do tipo: "Teacher, quando você volta?", "Teacher, você está bem?", "Volta, teacher, estamos com saudades", entre tantas mensagens de carinho.
Hoje, o meu retorno à escola me rendeu vários abraços (muitos mesmo)... e eu achei tudo isso muito bom. Todos me receberam muito bem nas salas, conversaram comigo, perguntaram como eu estava. E havia sorriso nos rostinhos daqueles pequenos e dos não-tão-pequenos que pareciam esperar ansiosos pelo meu retorno. Fiquei feliz. Estou feliz.
É. Eu acho que é isso. Eu não errei quando escolhi a minha profissão. Os problemas que há, que não sou poucos e nem são simples, são consequências de uma sociedade ainda tão imatura e que se esquece que tudo começa com uma boa educação.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Meu primeiro selo!!!

Faz pouco tempo que eu comecei a minha vida na blogosfera e já recebi meu primeiro selo!!! É razão pra comemorar, não é?


O selo "Este blog tem glamour" foi enviado por minha amiga Elaine.


Então, vamos lá para as etapas:


1) Listar cinco desejos de consumo que a deixariam mais glamourosa: casa própria; carro novo; roupas chiquérrimas; ter um motorista particular; rsrsrs... (Falta 1!!)

2-Fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer: viajar de avião; conhecer a praia; viajar para o exterior; aprender espanhol, francês, alemão e italiano; morar na Europa; namorar um gringo (rsrsr...); publicar um livro; trabalhar em uma universidade federal; fazer um cruzeiro; ter um filho... (Eita, passou de oito.. rsrsrs...)
3-Deixar um comentário para quem a convidou. Ok.

4- Indicar 10 amigas glamourosas e avisá-las que foram escolhidas:


Nina (Entre mãe e filha); Flávia (Diário da Devathai); Patrícia (Mariachiquinha); Michele(Unforgettable things). (Ainda faltam 6!!)

Eita nós, mulheres glamourosas!!!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Thinking about love...

Em alguns momentos eu pensei que não queria mais falar de amor. Mas, aí descobri que é impossível, pois sou feita de uma matéria-prima cuja substância principal é o amor. O amor está, indiscutivelmente, em mim: amo Deus, amo minha família, amo minha profissão, amo minha vida... Respiro o amor, me alimento de amor, falo de amor.

Eu já gostava de poesia há tempos!! Mas, foi na universidade que aprendi a amar (olha o amor aqui de novo rsrsrs...) essas belas criações. Um dos poetas que eu AMO é W. H. Auden. O poema abaixo é de sua autoria e, advinha o tema: AMOR!!! Tudo bem que é um poema muito triste, mas é lindo de qualquer jeito...


Stop all the clock
(by Wystan Hugh Auden 1907-1973)

Stop all the clocks, cut off the telephone.
Prevent the dog from barking with a juicy bone.
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.

domingo, 7 de junho de 2009

Ser humano... ser ingrato...

Hoje eu parei pra pensar sobre o quanto tenho sido ingrata.
Deus tem me dado tanto...
A começar pelo corpo saudável que me permite fazer tantas coisas:
ir aonde eu quiser,
abraçar meus pais,
sentir o paladar incomparável de uma manga (eu amo manga!!),
ouvir as canções de Diante do Trono, Kleber Lucas, Ludmila Ferber,
conversar com meus amigos,
ver o colorido das flores,
e às vezes eu reclamo horrores, acho tudo tão difícil...

Fiquei com vergonha ao lembrar da minha cama tão aconchegante,
da geladeira farta,
do guarda-roupa que parece ter encolhido por não caber as minhas roupas,
do meu carro na garagem,
do meu salário,
enquanto ali debaixo da ponte, pertinho aqui de casa,
há pessoas tremendo de frio,
ouvindo o roncar do estômago reclamando por um pouco de comida,
pessoas que talvez dariam tudo para estar no meu lugar,
ter o que eu tenho e que meu ego não deixava valorizar como deveria.

Eu não preciso viver dentro de um hospital,
respirando com a ajuda de aparelhos,
não preciso de medicamentos para amenizar dores,
não preciso de ficar em nenhuma fila desesperadora em busca de um transplante,
não preciso de nada disso.

Só preciso reconhecer todas as riquezas que Deus tem me dado,
todas as oportunidades para realizar os meus sonhos.

Deus tem cuidado tanto de mim!
Ele tem sido o meu amigo, a minha companhia, o meu mestre.
Ele tem tratado as feridas da minha alma,
tem me transformado,
permitindo-me evoluir como ser humano,
tem me permitido ser feliz,
e acho que eu ainda não tinha me dado conta de tudo isso.

Ser humano
Ser ingrato
Quanta hipocrisia!

sábado, 30 de maio de 2009

Um planeta chamado Mestrado

Estava eu perambulando pelas "ruas" do Orkut, visitando uns amigos e... não sei de onde veio essa idéia cômica. Mas, enfim. Achei que essa tal 'inspiração' precisava aparecer aqui.

No planeta "Mestrado", onde estou vivendo, é tudo muito solitário e silencioso. A comida servida aqui é muito estranha: Livros de Linguistica Aplicada, revistas sobre Ensino e Aprendizagem de L2 (Segunda Língua), sites sobre Novas Tecnologias... enfim, os pratos servidos têm um gosto exótico, sabe.... Às vezes tenho até náuseas quando como demais rsrsrs...

Ah, sobre a população é tudo muito louco: tem muitas pessoas que moram aqui também, mas... cada uma fica no seu país e praticamente não conversamos. Eu, por exemplo, moro num chamado "Ensino de Línguas Mediado por Computador", também conhecido como CALL; tenho uma amiga que mora no "Estratégias de Aprendizagem"; uma que mora num de nome "Música"; outra em "Análise do Discurso e Livros Didáticos". Há também o país "Inclusão e Segunda Língua". Tem uma que foi pro "Globalização e Cultura" e agora está em trabalho de campo, literalmente rsrsrs... Gente! É cada nome de país doido!

E tem mais. Nós temos presidentes e presidentas! É, somos chiques!!! O meu presidente é o Sr. Dr. F. J. Q. F. (Não vou falar o nome direitinho por ética). Ele é muito inteligente, dedicado e cumpre o seu mandato muito bem (diga-se de passagem). Suas propostas são muito boas e põe a população pra trabalhar mesmo!

Descobri que o planeta não é um lugar turístico, as pessoas até acham que isso aqui é um hobby, mas... o dicionário deles é diferente (talvez estragou, não sei rsrsrs) e o conceito de hobby é trabalho intelectual árduo e solitário...

De acordo com a previsão do consulado, vou residir aqui até o mês de Setembro. Pretendo passar umas férias num planetinha chamado Terra, um paísinho de nome Basi, não, acho que é Basil, ou será Brasir? Talvez Brasil, (ah, não sei o certo, mas vou pra lá).

Depois de tudo isso, talvez siga caminho para oooooooutro planeta...
Mas, até lá... fico aqui nesse tal Planeta chamado Mestrado.

Tempo da travessia

" Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".(Fernando Pessoa)



É. eu acho que meu 'amigo' poeta já disse tudo. Por isso, hoje, só quero refletir...


quinta-feira, 28 de maio de 2009

É inverno aqui dentro de mim...

Hoje resolvi dar uma mudada no meu blog. Não sei se vou deixá-lo assim, talvez quem sabe por um tempo. Sou estações. Eu mudo. E é sobre isso que quero falar.

Vez ou outra estou primavera, coração todo florido e perfumado!!! Ah, fico rindo à toa... Consigo até sorrir para desconhecidos na rua.

Aí vem o verão para aquecer aquilo que já estava bom. Vida agitada, agenda cheia, época em que acho que o dia deveria ter 30 horas, a semana 10 dias, o ano 20 meses, rsrsrs...

O outono é a estação dos frutos, de colher tudo o que plantei. De receber a tão esperada recompensa pela dedicação, pelo esforço, pelo tempo dispensado...

Mas aí vem o inverno, com todo o seu frio, sua solidão, seu silêncio... Eita estação difícil viu... Hoje é inverno aqui dentro de mim. É como se eu estivesse subindo uma montanha, coberta de neve, um frio tão intenso, um vento tão forte que às vezes acho que não vou suportar. A sensação que tenho é a de que a humanidade desapareceu e apenas eu restei nesse universo...


Não ouço mais a melodia da canção, não vejo mais o colorido da vida, tá tudo preto e branco, uma mudez que me mortifica...

Tá tão seco...
tá tão frio...
tá tão morto aqui dentro...

Por que você não vai embora inverno???
Por que se delonga tanto em minha vida???

Não espero ninguém me trazer a primavera, nem me levar a ela
Eu quero ir sozinha, tendo apenas Deus como companhia
e, ao chegar lá, quero uma aquarela
quero pintar um novo e belo dia...

Ichi, até a poesia está inverno hoje
Ela não quer poetizar...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Espelho, espelho meu: quem há por trás desse ‘eu’?


No conto de fadas “Branca de Neve”, a madrasta da protagonista, vez ou outra, recorria ao seu espelho para perguntar se havia alguém em todo o universo que fosse mais bela do que ela. O seu humor estava condicionado à resposta que seu ‘servo’ lhe desse. Ela se sentia bem quando a resposta era negativa, mas chegou o dia em que ela se enfureceu ao ouvir do seu espelho um ‘sim’ referindo-se à Branca de Neve, a enteada, como sendo a mais bela mulher existente cuja imagem agora era ali refletida. Não quero aqui fazer o papel de nenhuma dessas personagens. Mas extraio da estória o espelho e lhe dou vida própria para falar hoje.

Já escutei muitas coisas a respeito da minha personalidade, mas uma que tem me intrigado, talvez até intimidado, é aquela que afirma haver alguém atrás dessa máscara que eu insisto usar. Como assim? Eu não uso máscara nenhuma. Eu sou essa pessoa sempre transparente, sempre acessível. “Não, você não é. Usa uma máscara e se esconde atrás dela”. Ouvir isso significou ser colocada a frente de um espelho num movimento tão brusco, parecido com aqueles projetados no filme Matrix. E é justamente sobre esse ‘estar na frente do espelho’ que quero falar.

Como me sinto na frente desse espelho? Ora, ora, sinceramente... Tiraram a então máscara de mim e, nua que me sinto, estou toda desconcertada. Não há nada para desviar a atenção, não há nada para olhar, só há eu, em frente ao espelho. Estou com medo sim, apesar de tantas vezes ter afirmado categoricamente que não. Sim, amigo, estou com medo. Não sei se de você que examina detalhadamente até o meu respirar ou de mim mesma, de desvelar a Rejane que verdadeiramente sou. Eu não sei o que fazer porque, ao tirar a minha máscara, você tirou o meu controle. E acho que é por isso que estou com medo.

Ali, me olhando no espelho, ainda reluto para me esconder, esconder coisas das quais sinto vergonha ou até talvez nem conheça. Mas, não tem como. Todas as tentativas são fracassadas e não há outra coisa a fazer a não ser deixar refletir no espelho a pessoa que sou.

- Então, Rejane, o que você vê primeiro? – Pergunta o Sr. Espelho.

- Eu vejo meus olhos que, janelas da alma que são, mostram um ser assustado, introvertido, com medo de tudo e de todos. Olhos que já viram tantas coisas desagradáveis, a despeito das maravilhosas, olhos que já se alegraram e já se afundaram em lágrimas.

- Mas falta uma coisa ainda, Rejane.

- Eu não sei, acho que é só isso.

- Não, não é só isso não. Você se esqueceu de mencionar que seus olhos se fecharam quando você decidiu não ver o que era preciso.

- Mas ver o quê?

- Ver a verdade, ver e reconhecer a sua impotência diante de situações que estão alheias à sua vontade, ao seu controle. Rejane, ao fechar os olhos, você se ilude criando um mundo onde só existem as coisas (boas) que você quer ver e que pode controlar.

Minhas palavras silenciaram. Não sei o que responder.

Depois dos olhos, percorro a imagem ali refletida e, novamente sobressaltada por mais uma indagação do Sr. Espelho, observo-o.

- E agora, Rejane, o que você vê?

- Meu coração. E por que ele está assim, descoberto, parece tão indefeso? Eu nunca vi o meu coração assim. Será que estou morrendo? Veja, veja como ele bate. Deus, por que meu coração está assim?

- Ora, Rejane, isto é apenas o pulsar do seu coração, o seu órgão mais precioso. Você o tem imposto cargas além do que ele pode suportar. Ele encerra toda a sua força humana, mas também toda a sua fragilidade. Que alimento você tem oferecido a ele? Veneno. Você o tem alimentado com o pior dos venenos.

- Veneno?? Não, eu jamais faria isso. É óbvio que eu cuido bem dele, ele é o meu coração, não é? Então, eu faço tudo para cuidar bem ele e jamais faria o contrário.

- Veneno sim, um veneno chamado medo que lhe impede de prosseguir a despeito de todos os esforços que seu coração faz, de todos os gritos que lhe explodem silenciosamente em sua artéria.

Chega, eu não quero mais olhar nessa imagem nem conversar com esse espelho idiota que insiste em me falar coisas que não fazem sentido, que eu não quero ouvir. Pra mim, chega.

Está fugindo de si mesma, não é?

Agora eu vi. Esse Sr. Espelho está ouvindo até meus pensamentos. Ah, isso não. Pode parar. Já cansei dessa brincadeira.

Não, Rejane, não há como parar. É preciso que você olhe sua imagem refletida no espelho, é preciso que você se conheça porque só assim poderá prosseguir.

Ver os meus olhos ali, tão atemorizados, ver o meu coração tão frágil não era o que eu esperava. Talvez a máscara que eu sustentava me impedia de vê-los e de ouvir o murmurar de uma alma tão desconhecida por mim mesma, um universo que eu não desbravei porque a expedição pra dentro de mim talvez sempre me atemorizasse.

Eita. E agora? O que eu faço? Quem há por trás desse ‘eu’ refletido nesse espelho? Sr. Espelho, então me diga, o que eu faço agora? Sr. Espelho, responda-me: O que eu faço agora? Ei, fale.
Olho para o espelho e ele permanece inerte como sempre esteve. Mas e a voz que eu estava ouvindo? De onde vinha? Será que eu estava falando sozinha? Ah, não. Era só o que me faltava falar sozinha. Mas eu estava conversando com o Sr. Espelho. Com o espelho? Mas o espelho não tem boca, como pode falar? Mas... mas é que... não sei. Observo detalhadamente o espelho e percebo que a única coisa que se move nele é a minha própria imagem. Mas... e a voz? É. Eu acho que falei sozinha por um bom tempo. Ou talvez era a voz do meu inconsciente.

Não sei. Não sei que imagem é essa que eu vejo, se de uma madrasta má, de uma Branca de Neve, de um Dorian Gray ou de outrem. Olhando para o espelho, mais uma vez, vejo um corpo nu, uma alma nua, que se revelam ali, talvez numa tentativa de chamar-me a atenção para algo que eu ainda não havia percebido: o universo que há em mim, ainda tão desconhecido.

Num misto de coragem e covardia, quero quebrar esse espelho... ver seus pedaços no chão. Sentir-me-ia bem fazendo isso? E os cacos, será que poderiam ainda refletir alguma coisa?
E aí eu penso: Quantas pessoas que, assim como eu, também têm usado máscaras? Quantas pessoas lançam pedras no espelho com a intenção de quebrá-lo?

Pedra lançada. Meu meio sorriso reduz-se a nenhum ao perceber, espalhados no chão, os incontáveis pedacinhos da outrora pedra. No espelho permanece, intocavelmente, a minha imagem refletida.

Coração humano: terreno estéril...?



Ontem meu avô completou 89 anos. É o único avô vivo que tenho hoje, os outros já se foram. Após lhe dar um abraço e desejar “feliz aniversário”, eu pedi para tirar uma foto (adoro fotos!!) e depois conversamos um pouquinho. Momentos assim são raros.
Enquanto o meu avô falava sobre o passado eu fiquei olhando para ele numa tentativa de compreender suas palavras. Fiquei imaginando quantas coisas aqueles olhos azuis, tão azuis (ah, como eu queria ter herdado esse colorido!!!), já viram por esse mundão. Ele falava e falava e, em certo momento, ele comparou a terra, melhor dizendo, o solo de hoje com o de outrora. Meu avô disse que antes a terra era forte e produzia muito, mas que hoje, para produzir, precisa de adubo e de 'remédio' e, que mesmo assim, a sua produção nem se compara com a que era capaz no passado. Até aí tudo bem. Eu estava ouvindo essa história como tantas vezes já o fiz.
Comecei a pensar: meus vinte e tantos anos me parecem tanto tempo, já vivi tanta coisa, acho que já sofri tanto, mas aí, eu olho pro meu avô com seus 89 anos... Pra quem nasceu em 1920, viveu os amargos anos da Segunda Guerra e o medo imposto pela Ditadura Militar, e está aqui até hoje ... essa pessoa sim é exemplo de força, perseverança e vitalidade.
Nem sei em que momento me perdi naquela conversa. Uma coisa me veio à mente: O coração humano está como essa terra. As pessoas de antigamente, como diz o meu avô, tinham mais tempo umas para as outras, visitavam mais, conversavam mais, eram mais próximas, mais solidárias, mais humanas, os corações eram mais férteis. E hoje? Hoje é “cada um no seu quadrado”, odeio a música da qual esse trecho faz parte, assim como odeio seu ritmo ridículo. Mas, tenho que confessar que esse trecho fala muito e nos remete ao individualismo no qual temos vivido. É só isso? Não. Tem mais. Hoje, as pessoas são escravas do relógio. São? Não. Somos. Tenho que admitir que estou inclusa nesse grupo. Sou também escrava do tic-tac que me faz correr de um lado para o outro, tentando cumprir uma agenda horrorosamente abarrotada. Faço parte de uma geração que não tem tempo pra visitar família, que dirá familiares e amigos. Meus irmãos moram na mesma cidade que eu e passo meses sem ir a suas casas, e quando vou, é interessada em resolver alguma coisa, pedir um favor, ou algo do tipo. Conversar? Ihhhhhh, minhas conversas são sempre rápidas e com algum objetivo prático. Seja no celular, seja pessoalmente, minhas conversas são rápidas porque não tenho tempo.
Voltando um pouquinho a história da terra, no preparo das lavouras, é preciso encher o solo de calcário, adubo e tantos agrotóxicos, para receber uma semente que já é morta. Morta? Sim. Morta. Hoje, as chamadas sementes para plantio são geneticamente modificadas. Ao ser lançadas ao solo, elas vão apenas brotar, crescer e dar, forçadamente, os frutos que esperamos. Mas, frutos que já nascem mortos porque suas sementes são 'programadas' para serem estéreis.
Meu Deus! Será que o meu coração é assim? Será que pra “dar algum fruto” meu coração precisa de 'remédios' tão fortes, verdadeiros venenos? Será que os frutos que meu coração tem dado (se é que o tem feito) são tão artificiais assim? O que as pessoas têm plantado em seus corações? Que sementes são essas que temos lançado nesse terreno? Que amor - em todas as suas modalidades - é esse que as pessoas afirmam ter dentro de si, todavia, é capaz de enganar, de mentir, de trair? Será que estão (ou estou) me programando para ser esse tipo de ser humano? E onde estaria o HUMANO nessa história?
Depois desse devaneio que me transportou pra não sei onde e por não sei quanto tempo, voltei a mim. Foi quando olhei e compreendi quão precioso e raro é ver que meu avô com seus 89 anos ainda estava ali, próximo do fogão a lenha, a falar de outra história (e nem me dei conta do fim da primeira), de suas experiências e da época em que ele, juntamente com outros homens, tinham que deixar suas casas, mulheres e filhos pequenos e se esconder no mato porque os "tropeiros", liderados por Prestes, poderiam passar a qualquer momento para recrutar homens para uma tal revolução (e eu que pensei que isso nunca pudesse acontecer 'por essas bandas de cá' rsrsrs...).

domingo, 17 de maio de 2009

Fronteiras?! Não. Elas não existem mais...

Um mundo tão perto de mim...

Agora? Agora estou em casa, no meu quarto pra ser mais exata. Fazendo o quê? Nada. Procurando o que fazer. Depois de não sei quantas horas estudando, preciso de um break. Olho para as paredes, elas parecem se movimentar, vir em minha direção como que numa tentativa de me sufocar. Elas me entediam. É quando eu vejo a janela. “A janela do quarto??” Você talvez me pergunte: “Mas você está olhando pra janela do seu quarto?” Não, leitor, estou olhando a janela para o mundo. Basta eu ligar o computador, entrar na web e ali está a janela aberta e convidativa a uma tarde inteira para explorar, conhecer, viajar...
Viajar?? Sim, viajar. Um click, e estou na Índia. Andando pelas ruas de Bangalore, posso “saborear” um pani puri cujo paladar parece ser tão paradoxal!!!
Em segundos, já estou no Egito, terra dos Faraós. E percebo que os muçulmanos são gente como a gente. Será por que alguns de nós ainda pensamos que do lado de lá tudo é tão assustadoramente diferente?
Pakistão?? Sim. Paquistão também fica a poucos segundos ... dois ou talvez três... É nesse país que, vestida com trajes tão diferentes dos que estou acostumada, posso passear por Punjab.
Mas você não “viaja” pelo Brasil?? O meu leitor pode estar perguntando. Sim. Bahia, Rondônia, Santa Catarina... Ah, o Brasil, tão brasileiro, tão americano, tão europeu, tão oriental... também me encanta. Não posso negar o sangue mestiço brasileiro que corre nas minhas veias. Talvez por isso eu goste tanto do hibridismo...
Acho que nunca li tanto como agora nesse mundão chamado blog. Já é tão fácil me transportar para outros lugares, aprender um pouquinho de tantas línguas e culturas diferentes.
“Filha, vem jantar!”
“Calma, mãezinha, estou no Japão agora. Já volto.”
Em um dos inúmeros livros que estou lendo para concluir meu trabalho de mestrado, as autoras Palloff & Pratt (2002) falam sobre uma personalidade eletrônica referindo-se a pessoa que nos tornamos quando estamos on-line. É, talvez eu esteja mesmo vivendo uma outra personagem, talvez eu seja uma Mrs. Hyde por essas trilhas exóticas espalhadas pelo espaço virtual as quais me conduzem a lugares tão fascinantes! Ou talvez, eu estou sendo eu mesma ao conversar no msn, ler scraps no orkut, responder e-mails, blogar. “Que mundo é esse?!! Você está louca?” Não, não estou. Isso nada tem a ver com o fim apocalíptico esperado por nós cristãos. Isso significa viver, simplesmente. E é fazendo tudo isso que eu estou conhecendo mais a minha própria cultura, valorizando-a a despeito de certos detalhes que me entristecem...
Eu estou me conhecendo mais a cada dia.

Termino este post com uma expressão, linda por sinal, cunhada por dois professores marcantes na minha vida acadêmica: “Eu blogo, tu blogas, ele bloga. Você bloga?”